O livro apresenta uma revisão inédita da criminologia moderna e fundamenta suas conclusões a partir das evidências produzidas pelas Ciências Sociais e por uma extensa e surpreendente pesquisa de campo, de natureza qualitativa e quantitativa.

A Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Direito SP) promoveu, no dia 27 de abril, o lançamento do livro  “A Formação de Jovens Violentos: estudo sobre a etiologia da violência extrema”. A obra é fruto da tese de Doutorado de Marcos Rolim, defendida na UFRGS e, além do autor, contou com a presença do professor Oscar Vilhena Vieira, diretor da FGV Direito SP, Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, e Marta Machado, professora de Direito Penal da Direito SP.

O trabalho é pioneiro no Brasil e dialoga com autores que, a par da sua importância na criminologia moderna, são ainda pouco conhecidos, como Lonnie Athens e Travis Hirshi. O texto apresenta uma revisão inédita da criminologia moderna e fundamenta suas conclusões a partir das evidências produzidas pelas Ciências Sociais e por uma extensa e surpreendente pesquisa de campo, de natureza qualitativa e quantitativa.

Segundo o professor Oscar Vilhena, a obra é fundamental para a sociedade conhecer, avaliar e debater o que leva uma pessoa ao mundo do crime. “Para que possamos avaliar dinâmicas criminais, conhecê-las verdadeiramente, precisamos superar os velhos dogmas e nos debruçar com abertura e seriedade sobre esses fenômenos. Isto é o que Marcos Rolim faz neste trabalho de rara profundidade e inteligência”, destaca.

Rolim entrevistou em profundidade um grupo de adolescentes e jovens adultos que cumpriam medidas de privação de liberdade em diferentes cidades do Rio Grande do Sul, todos eles por conta de atos infracionais especialmente graves e violentos, incluindo múltiplos homicídios.  Ao final de cada entrevista, solicitou aos jovens que indicassem um amigo ou colega da infância não envolvido com o crime. Conseguiu localizar a maioria dos indicados repetindo, com cada um deles, o mesmo procedimento de entrevistas. Formou, assim, dois grupos pareados, com idade similar, mesmo sexo e mesma origem social; um deles envolvido com o crime e a violência, outro formado por jovens trabalhadores. Passou a examinar, então, as diferenças entre os dois grupos em busca do que poderia explicar desenvolvimentos tão antípodas.

Para poder encontrar evidências empíricas fortes, Rolim avançou seu trabalho de pesquisa para uma nova fase, agora quantitativa, entrevistando grupos diversos de presos no Presídio Central de Porto Alegre (um dos grupos formados por condenados por crimes violentos; outro por crimes sem violência) e um grupo de alunos, de idade equivalente e mesmo sexo, em uma escola pública da periferia de Porto Alegre. Lidando com questionários validados internacionalmente, o autor montou uma base de dados muito significativa, o que lhe permitiu realizar sofisticado trabalho de tratamento estatístico identificando os fatores etiológicos (causais) mais importantes para a violência extrema, o que, para além do interesse acadêmico, poderá impactar profundamente as políticas de segurança pública em curso.

Para mais informações sobre o livro, acesse o site.

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