O evento reuniu acadêmicos e especialistas no assunto com o objetivo de promover uma discussão sobre esses recursos e como sua inserção pode alterar o mercado de energia elétrica brasileiro.

A FGV Energia realizou, no dia 15 de junho, o lançamento do Caderno de Recursos Energéticos Distribuídos (REDs). O evento reuniu acadêmicos e especialistas no assunto com o objetivo de promover uma discussão sobre esses recursos e como sua inserção pode alterar o mercado de energia elétrica brasileiro.

Sétimo assunto abordado pela série Cadernos FGV Energia, o trabalho oferece uma reflexão sobre os REDs e seu potencial de desenvolvimento. A pesquisa aborda questões como geração distribuída, eficiência energética, gerenciamento de demanda e armazenamento de energia e as soluções, tanto do lado da oferta quanto da demanda, que possam contribuir para o equilíbrio no atendimento energético.

A pesquisadora da FGV Energia, Tatiana Bruce, fez a introdução do tema, falando que o aprofundamento dos estudos sobre o assunto, visa encontrar soluções que permitam a diversificação da matriz energética brasileira. Um outro motivo que torna urgente as discussões sobre fontes limpas de energia é o acordo firmado na Conferência do Clima de Paris (COP210, do qual o Brasil é signatário). Ela destacou também que o próprio consumidor está mais preocupado com a origem da energia que consome.

Tatiana afirmou ainda que o desenvolvimento dos REDs no Brasil tem três principais desafios. O primeiro deles é a regulação do setor e a necessidade de se criar um modelo de negócios eficiente. A segunda barreira que precisa ser superada é a questão que envolve o desenvolvimento tecnológico, como redes inteligentes (smart grids) e armazenamento de energia. O terceiro desafio apontado por Tatiana é a necessidade de criar condições favoráveis de financiamento e políticas de incentivos.

O primeiro painel do evento debateu os aspectos econômicos e regulatórios para inserção dos REDs na matriz elétrica. Nelson Leite, da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE), destacou que para uma fonte de energia ser considerada sustentável, ela precisa atender aos quesitos ambientais, econômicos e sociais. Segundo ele, o atual modelo só preenche o primeiro requisito, pois os subsídios cruzados geram perda de valor para alguns segmentos do setor elétrico. Essa perda de arrecadação, explicou, acabaria repassada para o consumidor final que não é capaz de arcar com os custos de instalação de um painel de energia solar, por exemplo.

“Esse arranjo que temos atualmente não é sustentável e o avanço desse modelo será perverso para o consumidor de baixa renda”, destacou.

Em seguida, foi a vez de Ricardo Gorini, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), falar sobre o tema. Ele destacou a importância de discutir sobre REDs em um panorama de mudanças climáticas. Segundo ele, eficiência energética tem sido considerada de fundamental importância diante desse cenário e o Brasil ainda tem que evoluir nessa questão. Rodrigo D’Elia, da AES Brasil, explicou também que os REDs ainda são incipientes e que é preciso ter incentivos para que esse mercado se desenvolva. Ele alertou ainda que mudanças regulatórias devem ser feitas com cautela, visto que os investidores pensam nesse mercado com uma visão de longo prazo e qualquer medida tomada de forma precipitada pode acarretar em grandes prejuízos.

O segundo painel do evento foi dedicado às novas tecnologias. Leontina Pinto, da Engenho Consultoria, e Alexandre da Silva, da GE Global Research, falaram sobre a forte ligação entre o desenvolvimento de novas tecnologias, em especial na geração e armazenamento. Outra questão importante levantada  foi a integração dos REDs ao sistema elétrico de maneira mais ampla e a utilização de tecnologias avançadas de rede, as chamadas smart grids.

Por fim, o último painel do evento recebeu Daniel Vieira, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e Gustavo Pimentel, da SITAWI Finanças do Bem, para falar sobre financiamento e incentivos. Eles destacaram que, devido aos altos custos associados à implementação dos REDs, é fundamental que se definam políticas de incentivos financeiros ou fiscais para o seu desenvolvimento.

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