Desde a crise de 2008, o Brasil tem registrado uma redução na evolução da produtividade. A taxa de crescimento da Produtividade Total dos Fatores (PTF) caiu para 0,8% ao ano, entre 2008 e 2012. O cenário fica ainda pior se considerado o período entre 2010 e o ano passado, intervalo em que a produtividade do país foi praticamente nula. A redução impacta diretamente nas estimativas da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) potencial brasileiro, a qual deve ficar próxima dos 3,2%. Segundo Rodrigo Leandro de Moura, da área de Economia Aplicada do IBRE, o fato se deve a dois principais fatores: aumento da participação do setor de serviços no mercado de trabalho, que costuma empregar mão-de-obra menos qualificada, e o baixo nível de desemprego.

“Sabe-se que os serviços apresentam menor produtividade em relação à maioria dos outros setores, visto que contrata trabalhadores menos qualificados e de menor remuneração”, explica Moura ao comentar os cálculos feitos pelo pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, também da área de Economia Aplicada do IBRE. Para seu levantamento, Barbosa Filho utilizou dados das pesquisas Mensal de Emprego (PME) e Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

Baixa taxa de desemprego
 

Outro ponto que tem pesado contra o aumento da produtividade do trabalho no país é a baixa taxa de desemprego. O desequilíbrio entre a oferta e a demanda faz com que as empresas contratem profissionais com pouca experiência, em especial jovens em busca do primeiro emprego. “Segundo dados da PME, o grupo que mais foi absorvido pelo mercado de trabalho em 2012 foram os jovens entre 15 a 24 anos. Em geral, esse grupo tem pouca experiência e por isso, afeta negativamente a produtividade no curto prazo”, salienta Moura, ao adicionar a esse contingente o número de pessoas em outras faixas etárias, também de baixa qualificação, e que estão no mercado em busca de uma vaga.

Moura destaca que o cenário pelo o qual o Brasil passa atualmente é intrigante. “Ao mesmo tempo em que registramos baixo crescimento, também estamos a quase pleno emprego. Isso ocorre graças ao crescimento do setor de serviços e a contratação de jovens. O setor é intensivo em mão-de-obra”, explica.
 

PIB Potencial
 

De acordo com o estudo de Barbosa Filho, o período de maior expansão da produtividade do trabalho foi entre 2006 e 2010, quando as médias de crescimento ficaram a 3% ao ano e a Produtividade Total dos Fatores (PTF) a 1,7% ao ano. Porém, com a queda na produtividade a partir de 2010, observou-se uma elevação da taxa de inflação no país associada a um baixo crescimento do PIB. Para o economista, esse menor crescimento pode ser fruto da redução do produto potencial da economia.
 

Produtividade e educação

Moura concorda e diz que o fato se deve, em parte, também ao aumento do peso do setor de serviços na economia. “Uma solução é melhorar a produtividade desse setor. Para isso, é imprescindível que o nível educacional do brasileiro e a qualidade do ensino continuem melhorando, principalmente para a educação básica”, ressalta.
 

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